O diretor nacional da Polícia Judiciária, Domingos Monteiro Correia, afirmou que o tráfico de droga é um fenómeno que continua a representar um dos mais sérios desafios à segurança e à credibilidade institucional da Guiné-Bissau.
”A Polícia Judiciária tem procurado enfrentar este fenómeno com determinação e profissionalismo, através de investigações rigorosas e da cooperação com parceiros nacionais e internacionais”, assegurou o diretor nacional no seu discurso na cerimónia de posse de novos agentes da investigação criminal, que também serviu para a celebração do 43º aniversário da PJ, na qual reconheceu que ” na verdade os desafios da investigação criminal se tornam cada vez mais complexos”.
A cerimónia foi realizada numa unidade hoteleira em Bissau e contou com a presença do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, dos membros do governo, dos inspetores coordenadores, representantes de organizações internacionais e familiares dos novos agentes promovidos.
Foram empossados 96 agentes de investigação criminal, após um longo período de formação e estágio. A direção Nacional Polícia Judiciária entregou insígnias e credenciais a agentes da PJ e promoveu vários outros a categorias de chefes de núcleo, de posto, subinspectores, inspetores coordenadores e superiores.
DIRETOR NACIONAL ANUNCIA CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CIBERCRIME, CIBERSEGURANÇA E CRIMES AMBIENTAIS
O diretor nacional da Polícia Judiciária disse que a criminalidade contemporânea se caracteriza por uma crescente sofisticação, recorrendo frequentemente a tecnologias avançadas e operando através de redes transnacionais altamente organizadas. Acrescentou que torna-se imperioso que a Polícia Judiciária continue a evoluir e a adaptar-se às novas realidades do fenómeno criminal.
”É com esta visão estratégica que temos vindo a desenvolver diversas iniciativas destinadas a reforçar a capacidade institucional da nossa organização. Entre estas iniciativas destaca-se a criação de novas unidades especializadas, designadamente no domínio da investigação de crimes ambientais, refletindo a crescente importância da proteção dos recursos naturais e do património ambiental”, anunciou.
Revelou, neste particular, que a direção nacional trabalha na criação, para breve, de uma unidade especializada na investigação de cibercrime, cibersegurança e criminalidade praticada com recurso a meios tecnológicos.
Domingos Monteiro Correia explicou que estão a trabalhar no desenvolvimento de um processo gradual de modernização institucional, que segundo a sua explanação, “inclui a renovação e melhoria do nosso website institucional, bem como a introdução de uma plataforma digital de gestão de processos que permitirá maior facilidade e celeridade na tramitação do processo durante a investigação e facilitar a interligação entre a Polícia Judiciária, o Ministério Público, os tribunais e outros órgãos de polícia criminal”.
Para o diretor nacional, a Polícia Judiciária necessita de um reforço técnico e operacional que lhe permita responder de forma mais eficaz às exigências da investigação criminal contemporânea.
”Uma das limitações mais evidentes prende-se com a mobilidade operacional, existindo uma carência significativa de viaturas que permita assegurar investigações, particularmente fora de Bissau. Esta limitação constitui um obstáculo concreto à plena capacidade de atuação da instituição em várias regiões do território nacional”, contou.
“NOVOS AGENTES ASSUMIRAM HOJE COMPROMISSO DE SERVIR A JUSTIÇA E DEFENDER A LEGALIDADE”
Sobre o juramento de bandeira prestado pelos novos agentes, o diretor nacional disse que este ato solene possui um profundo significado institucional e simbólico.
”Ao prestarem juramento de fidelidade à República, à Constituição e às leis da República, estes novos agentes assumem perante o Estado e perante os cidadãos um compromisso de elevada responsabilidade: o compromisso de servir a justiça, defender a legalidade e proteger os valores fundamentais do nosso ordenamento jurídico”, afirmou, para de seguida, enfatizar, que, ser agente da Polícia Judiciária implica assumir uma missão que transcende a mera dimensão profissional.
”Trata-se de uma verdadeira vocação de serviço público, que exige integridade moral, disciplina, coragem e uma permanente dedicação ao interesse coletivo”, assegurou, para de seguida, esclarecer que os novos agentes se distinguiram entre os candidatos mais íntegros e que cumpriram integralmente todos os procedimentos administrativos e legais exigidos para a admissão na função pública.
Apelou ao governo para que o processo de efetivação destes agentes na função pública possa ser tratado com a necessária celeridade, tendo em conta que todos os requisitos e condicionalismos legais foram devidamente observados e cumpridos.
DIRETOR NACIONAL HOMENAGEIA OS AGENTES, INSPETORES E COLABORADORES
Domingos Monteiro Correia aproveitou a ocasião para prestar homenagem a todos os homens e mulheres que, com elevado espírito de missão, têm dedicado o seu trabalho ao serviço desta instituição.
”Refiro-me, em particular, aos meus colegas inspetores, subinspetores, agentes, peritos e a todos os funcionários que, no exercício quotidiano das suas funções, demonstram notável profissionalismo, elevado sentido de dever e uma dedicação exemplar ao serviço público”, disse.
Frisou na sua comunicação que o trabalho desenvolvido pelos profissionais da Polícia Judiciária exige sacrifício pessoal, rigor técnico e uma permanente disponibilidade para enfrentar situações complexas e exigentes.
Expressou igualmente um agradecimento especial a todos os antigos Diretores Nacionais da Polícia Judiciária e aos sucessivos Ministros da Justiça que, ao longo dos últimos anos, iniciaram, acompanharam e apoiaram o processo que culmina hoje com a integração destes novos agentes na instituição.
”Graças ao empenho conjunto de várias lideranças institucionais, foi possível conduzir um processo de recrutamento que se pautou pelos mais elevados padrões de transparência, integridade e rigor administrativo”, contou.

